domingo, 17 de abril de 2011


 Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?
 
 Já não sonho mais em ir para um futuro medíocre. quero uma vida cheia de encantos e de amores, em que as pessoas se gostem de verdade. quero ir para o mundo inteiro: surfar na Austrália, passar o frio da Europa e voltar para os braços do meu Brasil tropical. sonho em ir para uma terra em que não haja fraqueza porque, quando a maioria dos seres humanos precisa lidar com seus defeitos, acaba desistindo dos seus objetivos. e eu não. não vou desistir, porque essa palavra nunca fez parte da lista de sonhos para onde desejo ir.